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Parceria entre o Cellos-MG, o Tribunal Superior do Trabalho, o Tribunal Regional do Trabalho, o MDHC e a Secretaria Nacional LGBTQIA+ garante a doação de equipamentos de informática para atendimento à população LGBTQIA+.

Hoje, ao receber esta doação de computadores, o CELLOS-MG não recebe apenas máquinas. Recebe um gesto que tem peso de chão, espessura de travessia e sentido de futuro. Porque, para quem conhece as serras de Minas, sabe: ninguém atravessa pedra, poeira e ladeira só com vontade. É preciso fôlego, é preciso mão, é preciso ferramenta. Também na luta social é assim. O sonho sem instrumento se cansa. A coragem sem estrutura se exaure. E o compromisso, quando não encontra condições materiais, corre o risco de ser esmagado pela dureza do caminho.

Por isso, nosso agradecimento ao Tribunal Superior do Trabalho, ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e à Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ não é um agradecimento burocrático. É um agradecimento com memória, com verdade e com emoção. Porque fortalecer o movimento social é reconhecer que há, neste país, organizações que sustentam a democracia no braço, no afeto, na inteligência e na teimosia de não deixar ninguém para trás.

E isso, para o povo LGBTQIA+, tem um significado ainda mais fundo. Porque nós sabemos o preço da exclusão. Sabemos o que é ver talentos interditados, currículos rejeitados, corpos constrangidos, identidades expulsas do mundo do trabalho como se dignidade tivesse dono, como se o pão pudesse ser negado a quem ousa existir fora da norma. Quantas de nossas pessoas aprenderam cedo demais que, neste país, ser quem se é ainda pode custar emprego, renda, oportunidade e futuro? Quantas travestis e mulheres trans foram empurradas para as margens? Quantas pessoas LGBTQIA+ tiveram de esconder a própria verdade para merecer aquilo que já deveria ser seu por direito?

Por isso, quando chega um computador ao movimento social, não chega apenas um equipamento. Chega uma possibilidade a mais de organizar a luta. Chega uma ferramenta a mais para acolher denúncias, formular projetos, produzir memória, construir formação, qualificar a incidência e abrir caminhos para que mais pessoas LGBTQIA+ possam acessar trabalho, renda, cidadania e dignidade. Chega, em alguma medida, um pedaço de futuro.

Minas nos ensinou muito sobre permanência. Nos ensinou que o ouro verdadeiro nem sempre reluz de imediato; às vezes ele se parece mais com brasa guardada no fogão a lenha, dessas que parecem pequenas, mas sustentam a casa aquecida durante toda a noite. O movimento social é um pouco isso: brasa viva. Mesmo quando tentam nos apagar, seguimos acesos. Mesmo quando nos querem no silêncio, seguimos em fala. Mesmo quando nos empurram para a beira, seguimos inventando centro, comunidade, política e esperança.

Recebemos esta doação assim: com alegria, com gratidão e com o coração atravessado pela consciência de que equipar o movimento social é equipar a luta por um Brasil mais justo. É fortalecer as mãos que acolhem. É sustentar as vozes que denunciam. É dar mais fôlego a quem transforma dor em luta, luta em política e política em possibilidade concreta de vida.

Que este gesto permaneça entre nós como dessas coisas bonitas que Minas chama de trem de valor: simples na aparência, imenso no sentido. Porque, quando o poder público reconhece a importância de fortalecer o movimento social, ele ajuda a dizer, com atos, que a vida das pessoas LGBTQIA+ importa; que seu direito ao trabalho importa; que sua dignidade importa; que seu futuro importa.

Nosso muito obrigado. Recebemos estes equipamentos não como ponto de chegada, mas como ferramenta de caminhada. E seguiremos. Como quem sobe serra sabendo do cansaço, mas também sabendo da beleza que espera do outro lado. Seguiremos, porque nosso povo merece mais do que sobrevivência: merece trabalho, respeito, cidadania e a inteireza de viver sem medo.

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