Minas tem ouvido barulho demais. Gente que confunde coragem com volume de voz, indignação com espetáculo, política com telefone apontado para o próprio rosto. O grito, quando vira método, já não acorda ninguém: serve apenas para impedir que o povo pense.
Foi assim que o bolsonarismo cresceu. Descobriu que o medo rende votos, que a mentira viaja mais depressa que a verdade e que fabricar inimigos é mais fácil do que governar. Fez da crueldade uma franqueza, da ignorância um orgulho e do ódio uma espécie de programa. É um projeto feio — não pela aparência de quem o representa, mas porque não há beleza numa ideia de país que precisa humilhar tanta gente para continuar de pé.
Cleitinho é, em Minas, a expressão desse projeto. Não discuto sua humanidade; discuto o caminho político que escolheu. Um caminho que troca a responsabilidade pelo espetáculo e oferece revolta onde deveria haver resposta. A barbárie, afinal, nem sempre chega de coturno. Às vezes chega sorrindo, com o telefone na mão, dizendo que apenas está falando aquilo que o povo gostaria de dizer.
Para nós, pessoas LGBTQIA+, esse discurso nunca é apenas discurso. Toda palavra de ódio pronunciada por quem tem poder acaba procurando um corpo onde pousar. Ela entra numa casa e vira expulsão. Chega à escola e vira humilhação. Atravessa o balcão de um emprego, o atendimento de saúde, a abordagem policial. Quando uma autoridade diz que nossa existência ameaça a família, há sempre alguém disposto a se sentir autorizado a nos ferir.
Cleitinho chegou a propor no Senado que o Estado reduzisse, para fins legais, a existência das pessoas trans ao sexo registrado no nascimento. Parece uma discussão fria, quase burocrática. Mas nós conhecemos a temperatura desse gesto. Sabemos o que significa quando a lei tenta nos diminuir antes que a violência nos alcance.
Esse é o projeto que ele representa: um Estado que vigia, exclui e transforma diferenças em ameaça; uma política que precisa de inimigos permanentes para mobilizar seus seguidores; uma forma de governar que substitui políticas públicas por indignação performática. Quando a vida real exige escola, saúde, emprego, segurança e dignidade, oferece-se um novo escândalo, um novo alvo, uma nova guerra cultural. O resultado é previsível: muito barulho, pouca solução e mais vulnerabilidade para quem já vive sob risco.
Do outro lado está Patrus Ananias. Não como santo nem como salvador, porque a democracia não precisa de salvadores. Patrus se apresenta com algo mais raro e mais necessário: responsabilidade pública, experiência e coração.
Eu conheço Patrus de perto. Além de conhecer seu apreço pelo estudo e pela literatura, conheço seu amor pelo Brasil e pela democracia brasileira — uma democracia que não pode ser apenas uma palavra bonita ou uma instituição distante, mas precisa ser corporificada por cada pessoa brasileira, em cada gesto de responsabilidade, respeito e compromisso com o bem comum. Tive a oportunidade de trabalhar com Patrus em sua assessoria direta e pude acompanhar de perto a seriedade com que ele trata a vida pública, a atenção que dedica às pessoas e a profundidade com que pensa o país.
A diferença entre os dois projetos aparece justamente aí. Enquanto Cleitinho transforma o conflito em finalidade, Patrus entende o conflito como algo que a política deve enfrentar para construir soluções. Enquanto um aposta na divisão e na humilhação, o outro aposta no diálogo e na proteção social. Enquanto um reduz o Estado a instrumento de controle sobre os corpos e as identidades, o outro o compreende como responsabilidade coletiva: garantir direitos, ampliar oportunidades e cuidar de quem mais precisa.
Responsabilidade para compreender que Minas não cabe numa live. Experiência para conhecer o Estado por dentro, formar equipe, planejar, dialogar e fazer acontecer. E coração — não como sentimentalismo de campanha, mas como capacidade de olhar para a dor de alguém e não passar adiante como se nada tivesse visto.
Patrus não descobriu a fome em ano eleitoral. Sua trajetória foi construída enfrentando-a. Como prefeito, ministro e parlamentar, ajudou a transformar cuidado em política pública. Sabe que governar é fazer o orçamento encontrar a vida; é garantir que a comida chegue à mesa, que o posto de saúde acolha, que a escola não expulse e que o Estado proteja quem, sozinho, não consegue se proteger.
Seu projeto reconhece a população LGBTQIA+ como parte do povo mineiro e assume o enfrentamento à violência e a ampliação das políticas de cuidado. Isso não é detalhe nem promessa lateral: é uma escolha sobre quem será visto pelo Estado, quem terá sua dignidade protegida e quem poderá viver sem medo. Nós estaremos juntos para apoiar, construir e também cobrar. Porque voto não é silêncio, e esperança não é cheque em branco.
Entre os dois projetos há mais do que uma diferença de nomes. Há uma escolha sobre o tipo de sociedade que desejamos ser. De um lado, uma política que sabe a quem odiar, que transforma preconceito em método e espetáculo em substituto de governo. Do outro, uma política que sabe de quem precisa cuidar, que reconhece a complexidade de Minas e trabalha para transformar direitos em realidade.
Por isso, não basta dizer que Patrus é uma alternativa melhor. Ele é a escolha coerente para quem quer um governo que governe de verdade: com planejamento, responsabilidade, compromisso democrático e respeito à vida. Votar em Patrus é rejeitar a política do medo e afirmar que nenhuma pessoa mineira deve ser tratada como inimiga por existir, amar ou reivindicar seus direitos. É escolher um Estado que não abandone os mais vulneráveis e uma liderança capaz de unir competência e humanidade.
Eu escolho Patrus porque Minas não precisa de mais um homem gritando. Precisa de um governo que escute, planeje e faça. Peço seu voto para Patrus porque, diante de dois projetos tão diferentes, não podemos tratar a eleição como disputa de estilos: estamos decidindo entre aprofundar a divisão ou reconstruir a confiança, entre alimentar o ódio ou fortalecer o cuidado, entre mais espetáculo ou mais governo.
Vote em Patrus. Vote por uma Minas que não tenha medo de suas próprias diferenças, que proteja sua gente e que faça da democracia uma experiência concreta no cotidiano. Vote para que o poder público esteja a serviço da vida — de toda a vida mineira.
Minas precisa voltar a sonhar — e sonho mineiro, para ser inteiro, precisa ter todas as nossas cores.