COMUNICADO OFICIAL! Resultado final revisado do processo de seleção – Projeto Educa Pop Trans!
O Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual e Identidade de Gênero de Minas Gerais – CELLOS-MG, por meio da Coordenação do Projeto Educa Pop Trans, torna público o resultado final revisado do processo de seleção do projeto. O presente comunicado reúne informações institucionais e técnicas sobre os critérios de avaliação adotados, a composição da comissão avaliadora, a síntese da diversidade representada entre as inscrições recebidas e a lista nominal das pessoas participantes com suas respectivas pontuações. A publicação organiza inicialmente as 50 pessoas selecionadas e, em seguida, as demais inscrições avaliadas, conforme ordem de pontuação e critérios de classificação estabelecidos pelo processo seletivo.
O processo seletivo recebeu 751 respostas, demonstrando a expressiva demanda social por iniciativas de formação política, educação popular, fortalecimento da cidadania, permanência educacional e ampliação do acesso a direitos para a população LGBTQIA+ no Brasil. Após a identificação de 5 respostas duplicadas, foram consideradas 746 inscrições válidas para avaliação. Deste total, 503 pessoas alcançaram pontuação igual ou superior a 5 pontos, enquanto 243 inscrições foram desclassificadas por não atingirem a pontuação mínima exigida no edital.
A comissão de avaliação foi composta por Maicon Chaves, presidente do CELLOS-MG; Gisella Lima, vice-presidenta do CELLOS-MG e coordenadora do Projeto Educa Pop Trans; e Larah Maciel, tesoureira do CELLOS-MG e coordenadora dos técnicos de projetos. A comissão realizou a análise das inscrições com base nos critérios previamente definidos na tabela de avaliação e aplicou os critérios de desempate conforme a ordem estabelecida pelo processo seletivo.
Os critérios de pontuação consideraram aspectos relacionados à identidade de gênero, pertencimento racial e territorial, participação em movimentos sociais e vínculo com iniciativas desenvolvidas pelo CELLOS-MG. Pessoas transexuais, travestis, não-binárias ou intersexo receberam 4 pontos; pessoas pretas ou pardas, 1 ponto; pessoas periféricas, 1 ponto; participantes de projetos do CELLOS-MG, 2 pontos; pertencentes a comunidades tradicionais ou originárias, 1 ponto; residentes das regiões Norte ou Nordeste, 1 ponto; e participantes de movimentos sociais LGBTQIAPN+, 2 pontos. Pessoas com menos de 5 pontos foram desclassificadas.
O processo também estabeleceu reserva de vagas, contemplando 30 vagas destinadas exclusivamente a mulheres trans, homens trans e pessoas intersexo; 5 vagas reservadas para pessoas com deficiência; e 15 vagas de ampla concorrência. As vagas de ampla concorrência permaneceram acessíveis às pessoas contempladas nas ações afirmativas. Para a reserva PcD, foram consideradas respostas compatíveis com impedimentos de longo prazo de natureza física, sensorial, intelectual, mental/psicossocial ou TEA/autismo, conforme parâmetros gerais adotados pela OMS, pelo Ministério da Saúde e pela legislação brasileira sobre pessoa com deficiência. Respostas relacionadas exclusivamente a TDAH, ansiedade, doenças crônicas isoladas ou respostas negativas não foram computadas para fins da reserva PcD.
Os critérios de desempate foram aplicados na seguinte ordem: participação válida em movimento social LGBTQIAPN+; pessoa jovem de até 24 anos; e pessoa com 40 anos ou mais. Para esse procedimento, não foram considerados como movimentos sociais instituições como fundações, universidades, Estado, municípios, federações e autarquias.
Ao final do processo, foram selecionadas 50 pessoas, sendo 30 pela reserva destinada a mulheres trans, homens trans e pessoas intersexo; 5 pela reserva PcD; e 15 pela ampla concorrência. O processo também registrou 9 seleções definidas por aplicação dos critérios de desempate.
A diversidade presente nas inscrições reafirma o alcance nacional e territorializado do Projeto Educa Pop Trans. As inscrições consideradas foram provenientes de diferentes regiões do país: Sudeste (365), Nordeste (212), Sul (61), Centro-Oeste (50), Norte (46) e não identificado (12). Em relação aos territórios, houve predominância de pessoas oriundas de favela/comunidade (313), seguidas de região central (152), bairro residencial de classe média (97), outros territórios (65), zona rural/campo (42), ocupação urbana (36), território quilombola (8) e pessoas que preferiram não responder (12).
A composição racial e étnica das inscrições consideradas registrou 270 pessoas brancas, 235 pardas, 204 pretas, 23 indígenas, 6 não informadas, 1 asiática, 1 caucasiano e 1 negra. Quanto à orientação sexual, foram registradas 199 pessoas bissexuais, 176 heterossexuais, 162 pansexuais, 104 gays, 62 lésbicas, 16 assexuais, 6 não informadas e 3 respostas identificadas como trans. Em relação à identidade de gênero, houve 140 pessoas não-bináries, 139 travestis, 138 mulheres trans, 124 homens trans, 88 mulheres cisgênero, 82 homens cisgênero, 7 pessoas transmasculinas e 7 respostas não informadas.
Entre as pessoas selecionadas, a composição evidencia a prioridade política da iniciativa, com forte presença de pessoas negras, pessoas trans, travestis, homens trans/transmasculinos, pessoas intersexo, pessoas oriundas de favelas e comunidades, além de participantes das regiões Nordeste e Norte do Brasil. As pessoas selecionadas distribuem-se regionalmente entre Nordeste (29), Sudeste (12), Norte (7), Centro-Oeste (1) e Sul (1). Em relação aos territórios, 31 pessoas selecionadas são oriundas de favela/comunidade, 7 de região central, 5 de zona rural/campo, 3 de ocupação urbana, 2 de comunidade ribeirinha, 1 de bairro residencial de classe média e 1 da categoria “outro”.
No recorte racial e étnico das pessoas selecionadas, foram registradas 29 pessoas pretas, 16 pardas, 3 brancas, 1 afroindígena e 1 indígena. Quanto à orientação sexual, as pessoas selecionadas se identificaram como heterossexuais (20), bissexuais (14), pansexuais (10), gays (4) e assexuais (2). Em relação à identidade de gênero, foram selecionadas 17 mulheres trans, 16 travestis, 10 homens trans, 5 pessoas não-bináries, 1 pessoa transmasculino e 1 pessoa transmasculina.
O resultado deste processo reafirma o papel institucional do CELLOS-MG na promoção da cidadania LGBTQIA+ no Brasil, especialmente por meio da organização de processos formativos, fortalecimento da educação popular, ampliação do acesso a direitos e construção de metodologias de seleção pública comprometidas com justiça social e diversidade. A parceria com a ANTRA fortalece a centralidade política da população trans, travesti e intersexo no projeto, reconhecendo as desigualdades históricas e as barreiras estruturais que ainda atravessam a vida dessa população no país.
A lista geral de participantes e respectivas pontuações apresenta inicialmente as 50 pessoas selecionadas e, na sequência, as demais inscrições avaliadas, conforme pontuação final e critérios de desempate aplicados. As inscrições sem identificação nominal foram registradas como “Inscrição sem identificação nominal”, preservando os dados pessoais sensíveis das pessoas participantes.
O CELLOS-MG e a Coordenação do Projeto Educa Pop Trans agradecem a todas as pessoas que participaram do processo seletivo e confiaram nesta iniciativa. A ampla participação recebida reafirma a importância de políticas de formação política e educação popular voltadas à população LGBTQIA+ em sua diversidade territorial, racial, social e de gênero. Para acessar o resultado completo e demais informações institucionais, orienta-se o acompanhamento das publicações oficiais no site do projeto. Solicitações e dúvidas relacionadas à transparência do processo poderão ser encaminhadas ao e-mail oficial do projeto.