Skip links

O CELLOS-MG traz a público seu posicionamento de repúdio ao PL 11/2025 da CMBH

O ataque ao movimento LGBTQIA+, suas ações, seus direitos e reivindicações são parte da agenda covarde e perversa da extrema-direita em nível nacional. Isso já sabemos bem. Para eles, a sociedade não é para todas as pessoas, mas apenas para aqueles que compartilham suas crenças, posições sociais e ideologias econômicas e culturais. A pluralidade, a diversidade, as diferenças – marcas inclusive antropológicas da formação do povo brasileiro – não lhes interessa porque questiona sua pretensão de verdade, muitas vezes repetida, e repetida, e repetida, até ganhar um tom pseudo confiável que lhes favoreça os argumentos.

O PL 11/2025 é mais uma tentativa mentirosa, oportunista e inconstitucional de usar nossas vidas como degraus de uma escada eleitoreira. Ao bom legislador e às comissões de legislação e justiça deveria ser fato notório que a competência de legislar acerca deste tema é da União, Estados e Distrito Federal, portanto cabendo às Câmaras Municipais atuar apenas de maneira suplementar. Ora, a extrema direita de BH quer mudar o ECA a partir da sua Câmara Municipal? Esta carta quer trazer luz a esse jogo feio, desproporcional e nefasto engendrado pela extrema-direita de BH.

O projeto quer proíbir a presença de crianças e adolescentes em vários eventos, sobretudo a marcha da Parada do Orgulho LGBTQIA+ e Carnaval, as duas maiores manifestações democráticas e populares de rua de BH.

Nos espanta muito a argumentação da exposição de crianças à uma dita sexualização. Parlamentares de extrema direita fizeram do parlamento um front de batalha na época do homeschooling (estudo em casa). Para eles é possível letrar, ensinar, preparar academicamente as crianças e adolescentes em casa. Eles, então, conseguiriam manter em seus próprios lares ao menos cinco dias por semana, seus filhos e filhas para estudarem uma “grade” curricular pesada que, sabemos, muitos deles apenas se exporiam pela obrigação constitucional. Ora… pais que conseguem manter filhos nessas condições em casa não conseguiriam mantê-los afastados de uma manifestação que não consideram viável para seu modo de vida?

Ademais, poderia a extrema-direita alegar que não se trata dos seus filhos, porque deles eles conseguem cuidar, bem como os agremiados dos seus posicionamentos o fizessem com seus respectivos filhos e que, de fato, a preocupação é com o geral das crianças e adolescentes; portanto os filhos dos outros.

Ora, um grupo que pede por Homeschooling e diz que a educação cabe aos pais; que são os pais que devem decidir o que os filhos devem ou não estudar, qual formação ética e moral devem receber, não deveria estar preocupado com o que os outros pais decidem para a vida dos seus respectivos filhos. Afinal, são as famílias que devem decidir se levam ou não seus filhos para carnaval e parada! Ou será que a extrema direita está afirmando que existem famílias melhores e piores umas das outras porque decidem levar seus filhos e filhas para estas manifestações. Importante entendermos isso!

Com efeito, é importante saber que o lugar ao qual as crianças e adolescentes mais são expostas a uma hipersexualização é a internet que está nas suas casas, nos celulares, nos tablets e notebooks. Internet que, hoje, no Brasil, tem limites pouco definidos e é uma verdadeira casa de ninguém. Pois bem! Porque a extrema-direita é então contra a regulação da internet? Por que são contra os protocolos regulamentares que se quer impor por exemplo à Meta? É simples: por que isso lhes interessa!

Por que será que a extrema direita não coesiona seu grupo para aprovar regras mais rígidas para o controle necessário para a proteção das crianças e adolescentes na internet? Porque isso significa também o controle sobre as mentiras que contam, as farsas que criam, a propagação de dados equivocados e narrativas violentas e tendenciosas que implementam. Seria um problema para o discurso de ódio propagado nas redes sociais. Basta lembrar o que este grupo espalhou de inverdades na época da pandemia e foram em muito responsáveis pelo cenário triste que tivemos no Brasil.

Como um grupo que se diz preocupado em proteger crianças e adolescentes – portanto reafirmando o seu caráter vulnerável em todos os sentidos – querem tratá-los como adultos ao proporem a redução da maioridade penal? Onde estão os projetos para proteger as crianças e adolescentes e suas famílias ilhadas nas ruas de BH sem o amparo necessário para salvaguardar suas vidas? São contradições que precisam ser explicitadas para que a extrema direita entenda de uma vez por todas que do lado daqui não tem um gado a seguir o som de um berrante qualquer.

A parada é uma manifestação popular e democrática de afirmação de diretos, construída há quase três décadas pelo movimento social e reconhecida recentemente pelo município no calendário oficial da cidade. A parada do Orgulho LGBTQIA+ é, portanto, um patrimônio para a cidadania de BH, assim como o carnaval. Que devolvem ao município milhões de reais, vida cultural, cidadania e turismo: são uma potência para BH.

A parada é um conjunto de ações que duram mais de um mês e que visa dialogar com os setores da sociedade sobre a cidadania LGBTQIA+, sobre direitos negados e os que precisam ser restaurados, protegidos e prospectados. É o momento de reconhecer aquelas pessoas que foram importantes na luta por equidade, direitos e cidadania, que doaram toda ou parte de sua vida no cuidado com o outro. É o momento em que finalmente nos reunimos para colorir as ruas da cidade e trazer uma narrativa festiva e alegre como um contraponto ao discurso de ódio que teima em nos criminalizar, impedir, apagar e, no fim, ceifar nossas vidas, como tem se demonstrado, por exemplo, o alto número de assassinatos de pessoas travestis e transexuais em MG. E é por todas nós que dizemos sim: a parada é o lugar das famílias, desde que as famílias queiram! É uma oportunidade para conviver com a diversidade tão rica que somos e nos olharmos nos olhos umas das outras e com um sorriso no rosto dizermos que, apesar de vocês, ainda estarmos vivas!

Viva a Parada do Orgulho LGBTQIA+ de BH!
Viva o Carnaval de Rua de Belo Horizonte!
Viva o movimento LGBTQIA+!
Viva os 25 anos de militância do CELLOS-MG!

Leave a comment

Explore
Drag